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Jovem de 18 anos se torna a primeira da família a cursar o Ensino Superior.

Numa lista de quase 400 páginas, encontrar o nome de Ana Rafaely Pereira significa muito mais do que descobrir que ela foi aprovada em Medicina na Universidade Estadual do Ceará (Uece). É o novo capítulo da história de uma família oriunda de Santana do Acaraú, a 360 km de Fortaleza — a jovem de 18 anos se torna a primeira do núcleo a entrar numa faculdade.

Egressa da Escola de Ensino Médio EEM Dr. César Cals, em Fortaleza, Rafaely sempre sonhou em cursar Medicina. Chegou a pensar no curso de Arquitetura e Urbanismo, por inspiração do pai, montador de móveis, mas já sabia: “não ia ficar satisfeita”. Por isso, focou nos estudos em busca de realizar o desejo e conseguiu.

No resultado divulgado pela Uece nesta quarta-feira (14), Ana Rafaely alcançou o 2º lugar nas cotas raciais do curso de Medicina em Fortaleza.

Eu sabia que era um curso muito difícil de conseguir passar direto do terceiro ano. Geralmente você faz mais dois anos de estudo depois. Mas aí continuei focada, continuei estudando bastante, com muito apoio da escola e deu certo”, conta em entrevista ao Diário do Nordeste.

Caçula da família, Rafaely conta que chegou a Fortaleza quando tinha quatro anos. 

Era um casal com quatro filhos numa cidade completamente nova”, relembra.

A mãe, Maria Alda, trabalha como empregada doméstica e não concluiu o Ensino Médio, assim como o pai, João Paulo.

Por isso, ela conta que os pais não tinham noção do universo do pré-vestibular.

Eles não sabiam como que fazia para entrar [na faculdade] e eu tive que ensinar isso. Independente disso, meus pais buscaram entender e me ajudaram sempre”, relata.

Os irmãos mais velhos chegaram a terminar a última etapa da educação básica, mas não ingressaram no ensino superior.

Eu sou a primeira da família a entrar na faculdade pública e estadual”, conta com sorriso no rosto.

Apoio do colégio

A rotina de estudos de Rafaely era dividida entre aulas no César Cals pela manhã e cursinho pré-vestibular pela tarde e noite. Ela frequentava um curso no bairro Aldeota com bolsa de 100% conquistada por meio da escola.

De casa para o colégio, o pai a levava. A outra parte do trajeto era feita, principalmente, de ônibus.

Além disso, a escola ofertava ‘aulões’ aos sábados e simulados de vestibulares aos domingos. Apesar da rotina cansativa, o carinho e o cuidados dos pais a ajudavam a conseguir superar os obstáculos.

Eles sempre me apoiaram e me deram total liberdade nos estudos. Era a minha mãe que fazia minhas marmitas. Eu passava o dia fora, então não dava para ficar comprando almoço. Ela acordava bem cedinho, antes do trabalho dela, para fazer a comida. E meu pai me deixava no colégio, me buscava quando dava e ia me ajudando”, Ana Rafaely Pereira - estudante aprovada em Medicina.

Além do suporte da família, a escola teve um papel fundamental no percurso da Rafaely, para além do lado educacional. Moradora do bairro Pan Americano, ela se encantou de cara com o colégio durante a procura por onde iria cursar o Ensino Médio.

Diário do Nordeste

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