Brasil

O médico teria oferecido acesso a provas e pontos em trabalhos para assediar sexualmente a estudante.

O médico e ex-professor de medicina Yuri Silva Portela foi preso nesta quinta-feira (29) por suspeita de forçar uma aluna a manter relações sexuais oferecendo vantagens acadêmicas em uma instituição de ensino superior de Quixadá, no interior do Ceará. A captura ocorreu após pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE), que identificou os crimes de assédio sexual e violência psicológica.

Segundo o Diário do Nordeste apurou com a Delegacia da Mulher de Quixadá, a prisão foi feita em um hospital do município, enquanto o profissional da saúde trabalhava.

Conforme a denúncia do MPCE, o médico usou sua posição de docente no curso de medicina e ofereceu acesso a provas e pontos em trabalhos para assediar sexualmente a estudante.

A operação Bisturi Acadêmico foi deflagrada pela 1ª Promotoria de Justiça de Quixadá e coordenada pelo promotor de Justiça Bruno Barreto. A força-tarefa teve atuação conjunta de equipes da Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá do Ceará, da Polícia Militar (PMCE) e da Polícia Penal.

Ainda segundo o MPCE, as investigações seguem em curso, pois há indícios de que o médico fez outras vítimas e teve "outras condutas possivelmente criminosas".

A medida cautelar foi necessária não apenas pela gravidade dos fatos, mas também para garantir a ordem pública, preservar o andamento das investigações e evitar novas abordagens ou intimidações à vítima", informou o MP do Ceará.

Defesa pedirá habeas corpus 

O advogado Antônio Carlos Fernandes Pinheiro Júnior, que faz a defesa do médico Yuri Portela, informou vai pedir um habeas corpus.

Em nota, a defesa, realizada também pelo advogado Bruno Queiroz, informa que faz a

análise técnica e detalhada dos autos".

Sobre a prisão, os advogados apontaram, em nota divulgada na manhã desta sexta-feira (30), que a fundamentação ocorreu por meio de

trechos isolados de conversas virtuais, cuja leitura foi realizada de forma descontextualizada". Segundo a defesa, as mensagens ainda passam por apuração técnica, sem conclusão pericial definitiva.

Em toda a fase investigativa, não se imputou ao paciente o emprego de violência física, grave ameaça ou qualquer forma de coação direta, tratando-se de suposta conduta de natureza exclusivamente verbal e moral", argumentaram.

No mesmo texto, a defesa alegou que a prisão preventiva é

desnecessária e desproporcional".

Diário do Nordeste

Compartilhe: