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Vítima trabalhava, sem receber salário, em um condomínio de luxo em Eusébio, no Ceará

A idosa que passou 55 dos 62 anos de vida servindo a três gerações de uma mesma família em trabalho análogo à escravidão, em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, foi efetivamente resgatada da casa dos antigos empregadores. Nesta terça-feira (18), a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) divulgou que a vítima deixou a residência, mas não revelou o local em que está acolhida, por medidas de segurança e de privacidade. 

Ela está recebendo acompanhamento psicossocial, assim como o suporte para conseguir reconstruir sua autonomia. "Todas as medidas adotadas durante a ação fiscal priorizaram sua proteção integral e o respeito às suas escolhas", acrescentou a AFT, do Ministério Público do Trabalho (MPT).

A equipe técnica do Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) detalhou que a equipe psicossocial segue acompanhando o caso, e que tem realizado atendimentos multidisciplinares frequentes. Os profissionais buscam incentivar a autonomia da vítima.

O acompanhamento seguirá de forma contínua, dando seguimento ao apoio psicossocial necessário no pós-resgate e à articulação com os órgãos competentes para acesso à rede de proteção e aos serviços públicos, a partir das demandas que venham a ser identificadas", informou o Centro de Referência em Direitos Humanos em nota oficial.

Relembre o caso

Após uma denúncia anônima, a fiscalização constatou que essa idosa trabalhou para três gerações da mesma família, sempre sem interrupção das atividades laborais e sem receber salário.

Em 1982, a mulher foi morar na residência da filha da antiga patroa quando esta constituiu nova família, permanecendo responsável pelas atividades domésticas e pela criação dos três filhos do casal.

Mais de trinta anos depois, em 2014, foi novamente transferida para outra residência pertencente ao mesmo grupo familiar, passando a cuidar da geração seguinte da família, acumulando as atividades domésticas com o cuidado diário das crianças.

Após o início da ação fiscal, os empregadores reconheceram vínculo de emprego apenas em relação ao período iniciado em 21 de julho de 2014, correspondente à última residência em que a trabalhadora prestou serviços.

A família envolvida com a idosa, no entanto, nega as acusações sobre o trabalho em condições análogas à escravidão. Em nota à imprensa, a equipe de advogados responsáveis pelo caso aponta que as situações relatadas não retratam

a relação de convivência, cuidado e afeto construída ao longo de décadas com a senhora envolvida".

Quem eram os patrões da idosa?

Nayarah Alencar Brasil Magalhães é irmã de Zaamarah Brasil Andrade. As duas são filhas de Paulo Martins Brasil e Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil. Zaamarah e Tiago Andrade, casados entre si, são os mais recentes patrões da idosa e com quem ela morava antes de ser resgatada.

A Prefeitura de Fortaleza informou que Zaamarah, que é servidora municipal, será exonerada da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP). Ela ocupava o cargo desde 1º de março de 2017.

Foi assinado por ela, e mais cinco parentes, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao MPT após as investigações.

Conforme o documento, obtido pelo Diário do Nordeste, os nomes dos investigados são:

Paulo Martins Brasil, aposentado;

Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil, aposentada;

Paulo Martins Brasil Filho, advogado;

Zaamarah Alencar Brasil Andrade, servidora pública;

Tiago Silva Andrade, veterinário;

Nayarah Alencar Brasil Magalhães, empregada pública.

Diário do Nordeste

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