
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o início da pesquisa clínica para uma vacina desenvolvida no Brasil contra a malária.
O estudo clínico segue o modelo duplo-cego, controlado por placebo, para avaliar a segurança e a imunogenicidade da vacina Vivaxin (proteína PvCSP-All).
Priorizado pelo Comitê de Inovação da Anvisa, o desenvolvimento da vacina está sendo realizado pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Saúde.

Nesta primeira fase, o foco do estudo é definir o perfil de segurança da vacina, realizando testes com humanos. Para isso, devem ser avaliadas as reações nos primeiros 14 e 28 dias após a administração intramuscular da vacina Vivaxin e durante toda a duração do estudo.
Caso os resultados sejam positivos, o imunizante poderá seguir para as fases 2 e 3 e solicitar o registro na Anvisa e em outras agências reguladoras do mundo.
O Centro de Pesquisas Clínicas (CPC) do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é a unidade responsável por recrutar os participantes. O planejamento prevê a inclusão de 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos e sem infecção prévia por malária.
A autorização foi publicada na última quarta-feira (7/10) no Diário Oficial da União. Confira a Resolução 3.956/2026.
O que é a Vivaxin
O imunizante Vivaxin é composto por uma proteína quimérica recombinante chamada PvCSP-All epitopes, que constitui a substância ativa da vacina. A formulação também contém o adjuvante CTVad3, utilizado para potencializar a resposta imunológica do organismo ao imunizante.
A substância ativa é apresentada na forma liofilizada, ou seja, passa por um processo de retirada da água para sua conservação. Antes da aplicação, ela deve ser reconstituída com o adjuvante CTVad3. Após esse preparo, a vacina é administrada por via intramuscular.
Sobre a malária
A doença é causada por parasitas do gênero Plasmodium vivax, que são transmitidos pela picada do mosquito Anopheles em regiões tropicais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,9 milhões de casos de malária por P. vivax foram mapeados em 2024. Nas Américas, essa espécie respondeu por 63,1% dos casos estimados da doença naquele ano.
No Brasil, foram registrados 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025, segundo o Ministério da Saúde.
TH+PB