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A lei 15.325/2026, em vigor desde janeiro deste ano, traz regulamentações sobre diversas profissões, incluindo os influenciadores digitais

A chamada Lei dos Influenciadores entrou em vigor em janeiro deste ano com a promessa de dar reconhecimento formal a quem atua na produção de conteúdo digital. A norma, oficialmente registrada como lei 15.325/2026, regulamenta o exercício da profissão de multimídia, conceito amplo que vai além dos influenciadores.

O texto define como atividades de multimídia a criação, produção, edição, gestão e publicação de conteúdos digitais. A regra alcança desde produtores independentes até gestores de mídia em estruturas empresariais. A abrangência, porém, levanta dúvidas.

Para o professor e especialista em Direito Digital Marcelo Crespo, o objetivo da lei foi reconhecer e profissionalizar o setor.

O propósito da lei é de reconhecimento legal e profissionalização de quem trabalha com multimídia. Por isso, o foco do texto foi amplo e funcional”, afirma.

O que a lei estabelece:

Reconhecimento formal da profissão de multimídia, com definição legal da atividade.

Previsão de parâmetros contratuais, criando uma referência para negociações com marcas e empresas.

Abrangência ampla, que inclui produtores independentes, gestores de mídia e criadores de conteúdo digital.

O que ficou de fora:

A norma não trata de temas sensíveis frequentemente associados aos influenciadores digitais, como:

Responsabilidade civil e penal específica;

Regras sobre publicidade enganosa;

Combate à desinformação;

Mecanismos de fiscalização ou punição.

Além disso, “Lei dos Influenciadores” é apenas uma denominação popular. O texto oficial regula a atividade de profissional de multimídia, conceito mais amplo.

Como a lei afeta os influenciadores?

Apesar do apelido, a lei não trata exclusivamente dos influenciadores digitais. Segundo a advogada e professora Ana Júlia Milanez, o principal efeito é simbólico.

A principal implicação é o reconhecimento inicial da atividade de multimídia como uma profissão, que até então estava às margens. Embora a lei não estruture a atividade de influencer, representa um primeiro passo para uma regulação mais consistente”, explica.

A norma também não avançou em temas que costumam gerar debate público, como ética na publicidade, proteção do consumidor e desinformação. Para Ana Júlia, a lei acaba sendo mais genérica do que regulatória.

O tema é complexo, e uma única lei não é capaz de solucionar os inúmeros problemas envolvendo influenciadores digitais, já que a matéria envolve diferentes áreas do direito”, afirma. Ela defende a criação de regras que diferenciem as categorias incluídas no conceito de profissional de multimídia, com obrigações específicas para cada uma.

Marcelo Crespo avalia que a ausência de mecanismos punitivos ou fiscalizatórios pode abrir espaço para interpretações divergentes.

Essa lacuna pode ser interpretada como uma resistência do legislador em entrar em temas controversos”, diz.

Leis complementares à vista

Especialistas apontam que a falta de parâmetros mais detalhados pode gerar conflitos, especialmente nas áreas trabalhista e tributária. A expectativa é que normas complementares sejam discutidas para preencher as lacunas e dar mais segurança jurídica ao setor.

Metrópoles

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