
Os organizadores das Olimpíadas de Paris negaram, no último domingo (28), que a polêmica encenação com a presença de drag queens na abertura dos Jogos tenha se inspirado na pintura “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. A apresentação foi marcada por elementos representativos da cultura LGBTQIAP+, o que despertou fortes reações conservadoras pelo mundo.

Jornalistas questionaram a porta-voz das Olimpíadas Paris 2024, Anne Descamps, em uma coletiva de imprensa do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre o assunto.
Claramente, nunca houve a intenção de desrespeitar qualquer grupo religioso. Pelo contrário”, respondeu Descamps.
Embora a organização negue oficialmente ter se tratado de uma releitura, o resultado ficou parecido com o quadro que retrata a última ceia de Jesus Cristo com seus apóstolos antes da crucificação.

A porta-voz afirmou que o diretor artístico da abertura, Thomas Jolly, buscou “celebrar a tolerância comunitária”, um objetivo da organização do evento.
Olhando para o resultado das pesquisas que compartilhamos, acreditamos que essa ambição foi alcançada. Se alguém se sentiu ofendido, lamentamos muito”, acrescentou Descamps.
Jolly já havia se pronunciado a respeito do assunto, em entrevista à Associated Press logo após a cerimônia.

Meu desejo não é ser subversivo, nem zombar ou chocar," disse Jolly, na ocasião.
Acima de tudo, eu queria enviar uma mensagem de amor, uma mensagem de inclusão e não de divisão”, afirmou à agência.
Diretor artístico nega
No último domingo (28), Jolly reforçou o discurso oficial da organização, em entrevista à rede de televisão francesa BMF TV. Ele negou ter se inspirado em “A Última Ceia”. Disse que a verdadeira inspiração foram divindades da antiga mitologia grega, como Baco, o deus do vinho.

Embora Jolly tenha evitado estabelecer uma relação direta com qualquer obra de arte, muitos internautas têm apontado que a inspiração pode ter sido outro quadro famoso. A referência exata teria sido a "Festa dos Deuses”.
A pintura mostra Baco (também chamado de Dionísio) no centro de uma celebração. O quadro, pintado por Jan Harmensz van Bijlert por volta de 1635, está no Museu Magnin, em Dijon, França.
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