
O piloto indiano Smit Machchhar afirmou que precisou lutar pela sobrevivência e, ao mesmo tempo, tentar recuperar o controle de um avião da Flydubai depois de ser atacado pelo copiloto durante um voo entre Dubai e Tel Aviv. Em conversa com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Machchhar contou como conseguiu abrir a porta da cabine durante a emergência.

Ferido e caído no chão da cabine de comando, ele percebeu que a aeronave estava perdendo altitude e decidiu voltar a agir para evitar que outras pessoas a bordo morressem.
— Eu estava deitado no chão, machucado, mas disse a mim mesmo para fazer um último esforço para abrir a porta por dentro — relatou no bate-papo com o premier, em uma chamada de vídeo transmitida no Instagram.

Outras pessoas também conseguiram entrar na cabine e ajudaram a controlar a situação. O capitão resumiu o momento:
— Entraram e também desempenharam um papel. É claro que eu estava lutando pela minha própria vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que não ia deixar que outras pessoas morressem.
Avião perdeu 5,2 mil metros de altitude
O voo havia saído de Dubai com destino a Tel Aviv quando, cerca de duas horas e meia depois da decolagem, perdeu mais de 17 mil pés de altitude, aproximadamente 5,2 mil metros.

Passageiros e integrantes da tripulação conseguiram dominar o agressor e recuperar o controle da aeronave. O avião foi então desviado para Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde pousou com segurança.
Machchhar foi levado inicialmente para um hospital e depois transferido de avião para Abu Dhabi. A embaixada da Índia nos Emirados Árabes Unidos informou que ele estava em bom estado de saúde e se recuperando.

O embaixador indiano, Deepak Mittal, afirmou estar orgulhoso da atuação do capitão e aliviado por tê-lo encontrado. Machchhar disse que não pretende encarar os ferimentos como algo que dificulte sua recuperação.
— Não estou olhando para este ferimento como um ferimento, porque isso tornaria minha recuperação ainda mais difícil. Estou vendo isso como uma jornada que está acontecendo lentamente e vai levar tempo, mas estou confiante de que haverá recuperação e que ficarei bem e saudável novamente.

Quem é o piloto
Machchhar conta que pilota aviões há 17 anos. Ele também explicou que sua experiência permite perceber o que está acontecendo com a aeronave. Segundo ele, um piloto
consegue dizer o que está acontecendo com o avião mesmo de olhos fechados".
Narendra Modi destacou a reação do capitão durante a emergência e afirmou que sua capacidade de tomar decisões rapidamente ajudou a preservar muitas vidas.
— Nossa coragem, paciência e rápida tomada de decisões salvaram a vida de tantas pessoas — disse Modi a Machchhar, acrescentando que a Índia estava orgulhosa dele.

Para amigos e vizinhos da família, a reação do piloto diante da situação não foi uma surpresa. Eles o descrevem como afável, prestativo e "sempre sorridente", além de lembrar que ele mantinha a calma desde a infância.
— Não esperávamos menos dele, não foi uma surpresa — declarou Akshay Doshi, que conhece Machchhar há cerca de 15 anos e mora ao lado do apartamento dos pais do piloto.
Já Laxmikant Joshi, afirmou outro vizinho, afirmou que todos estão orgulhosos por "sua natureza, por sua coragem".

— Ele salvou vidas quando ele mesmo estava em perigo. E fez isso no ar, controlou o avião depois de ter sido ferido — disse à AFP.
Segundo relatos de passageiros, Machchhar já estava ferido, mas conseguiu abrir a porta da cabine antes de desmaiar. Passageiros ajudaram a conter o suspeito enquanto outro piloto assumiu os controles.
A companhia aérea informou que os 174 passageiros estavam em segurança. Segundo vários veículos de comunicação, 166 deles eram israelenses.
O próprio piloto já havia falado sobre a pressão da profissão. Ao iniciar a carreira, contou que a responsabilidade pela segurança dos passageiros costumava pesar sobre ele.

Em um podcast de 2025, recordou que seu primeiro voo comercial foi "assustador" justamente pelo peso de ser responsável pela vida de outras pessoas. Com o tempo, disse ter aprendido a lidar com essa pressão.
O Globo