Paraíba

Pai das crianças, que mora em Brasília (DF), foi indiciado por violência doméstica em 2023 e não tem direito à guarda dos três filhos, de 4, 9 e 10 anos

Há 4 meses sem ver os filhos, que estão com o pai em Brasília (DF), a advogada paraibana Réa Sylvia Batista afirma que está sendo impedida ilegalmente pelo ex-marido de estar na presença das crianças. 

A advogada se separou do homem, que é medico, em 2023, depois que foi agredida fisicamente por ele, o que gerou uma condenação do homem no Tribunal de Justiça do Distrito Federal por violência doméstica.

No ano seguinte, a Justiça concedeu a guarda unilateral das crianças (que têm 4, 9 e 10 anos) à Réa, porém desde o fim do ano passado, quando os filhos foram para Brasília visitar o pai, não retornaram mais à Paraíba – inclusive, foram matriculados em uma escola da Capital Federal.

A advogada, então, entrou com um mandado de busca e apreensão na Justiça para que pudesse levar os filhos de volta ao estado, porém a medida não foi cumprida.

Casamento conturbado

Mas a situação vivida com os filhos vem de anos e anos de um relacionamento conturbado que a advogada teve com o pai das crianças.

Réa contou ao Portal Correio que se casou com o médico, de nome Michel, em 2013, mas que o relacionamento sempre foi marcado por brigas e ciúmes – segundo a advogada, o então marido usava álcool e medicamentos em excesso.

A instabilidade no relacionamento fazia com que ele pedisse a separação. Uma dessas situações ocorreu quando Réa estava grávida da filha do casal.

Uma vez eu estava dormindo, ele puxou meu lençol e disse ‘vamos nos separar’. Eu disse ‘vamos dormir, amanhã a gente conversa sobre isso’ e ele disse ‘vamos nos separar agora’. Não entendi nada. Eu estava grávida e chorava, dizia ‘pelo amor de Deus, não faz isso, a nossa bebê está pra nascer’, e ele disse ‘ela vai ser criada sem pai’.

A advogada afirma que além da violência psicológica, também sofreu por muito tempo violência patrimonial – segundo ela, em um determinado ponto da carreira dela que ela estava ganhando um bom salário, o marido pedia para ela parar de trabalhar e ficar cuidando dos filhos.

Agredida e salva pelos vizinhos

Réa conta que o episódio que foi a “gota d’água” para a separação foi quando um dia, em 2023, o ex-marido a agrediu fisicamente e ela também descobriu que ele tinha uma arma, com munições, dentro de um cofre instalado no quarto.

Ele tinha duas pistolas Glock. (Após a agressão) Peguei as crianças porque só me veio isso na cabeça: ele vai matar a gente. Peguei as crianças e corri para a casa da minha vizinha, depois os pais dele vieram, conseguiram tirar ele de casa para eu voltar com as crianças, e eu fui pegar as armas para entregar ao pai dele, porque não queria aquelas armas em casa, com as crianças. Quando eu abri o cofre, vi que uma das armas estava municiada. O medo cresceu. Se eu tivesse ficado em casa, com certeza teria sido vítima de feminicídio

Afastada das crianças por policiais

No início de março deste ano, Réa foi até Brasília e tentou levar os filhos de volta para a Paraíba, mas foi impedida por policiais de se aproximar das crianças.

“A escola ligou para o Michel, avisou que eu estava lá. Quando deu 18h, 18h10, o porteiro falou que as crianças iriam sair por outro portão. Quando eu saí da escola, vieram dois policiais falar comigo e eu não entendi o motivo – primeiro disseram que tinha sido a escola (que chamou os policiais), depois disseram que foi o Michel. Quando eu vi que a minha filha tinha saído, fui correndo porque queria encontrar ela e os policiais vieram atrás de mim. Os meninos eu não consegui ver porque foram colocados rapidamente dentro do carro e o pai gritando ‘prendam ela’, e ele simplesmente saiu com o carro”.

Réa afirma que o pai está tentando medidas judiciais para tentar impedir que ela veja os filhos, apesar de já existir uma decisão em favor dela sobre a guarda.

A intenção dele é me desqualificar como mãe, porque eu tenho a guarda unilateral em virtude da violência doméstica. O Michel nunca foi um pai presente, eu dediquei 11 anos da minha vida para cuidar das crianças. E como ele já não conseguia me atingir, que já tinha saído da fase do ‘luto’ do divórcio e tinha voltado a advogar, ele falou ‘agora é hora de atacar com os filhos'”, disse.

Portal Correio

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