Patos

Dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde da Paraíba (SES) nesta terça-feira (1°) revelam um aumento  de 116,66% nos casos de contaminação por HIV, em Patos, de 2019 a 2020.

No ano passado, a capital do sertão registrou 12 casos de HIV, o vírus causador da Aids. No ano anterior haviam sido 22. Mas, segundo dados repassados pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA Patos), os números voltaram a subir neste ano. Somente nos primeiros seis meses de 2020, foram realizados em média 200 testes com a notificação de 26 novos casos de HIV em Patos.

Já nos casos de Aids, quando o vírus se desenvolve no organismo do portador, foram 5 casos em 2019 contra 9 do ano anterior.

Quando o assunto é taxa de detecção, Patos registou ano passado uma taxa de 11,2 casos de HIV por 100 mil habitantes e 4,6 casos de Aids por 100 mil/hab.

A taxa de HIV, segundo a SES é maior comparada a de aids, uma tendência que pode evoluir com um diagnóstico cada vez mais precoce.

Os dados referentes a todo o ano de 2020 ainda estão sendo fechados, de acordo com a coordenação do CTA Patos, uma vez que, devido a pandemia do novo coronavírus, houve todo um replanejamento do cronograma de atendimento da unidade.

De acordo com Cosme Francisco de Medeiros, coordenador do CTA, a unidade chegou a ficar fechada no mês de maio, reabrindo no mês seguinte. Ele explica que foram encontrados  desafios na realização de testagens e distribuição dos medicamentos para os portadores durante a pandemia.

Experiência de quem convive com a aids

Receber um diagnóstico de portador de HIV/Aids não é uma situação fácil. No entanto, com o avanço científico, não significa mais um diagnóstico de morte.

O jovem Adson Belo, de 24 anos convive com a aids desde os 17 anos. Ele leva uma vida normal, como a de qualquer outra pessoa. É casado e junto com o seu companheiro, frequentam academia de musculação, festas, vão ao shopping e fazem compras. Belo revela que não sai contando por aí sobre o fato de ser portador, apenas quando assume uma relação de proximidade com as pessoas. Porém, ainda sente a reação de distanciamento da outra pessoa quando toca no assunto.

Eu percebo que, por mais que a pessoa seja próxima de mim, ainda é difícil para ele ou ela lidar com o fato de estar próximo de alguém com aids. Eu atribuo isso muito a falta de percepção do que de fato é essa patologia. Aids não se pega pelo abraço, ou pela aproximação. Mas as pessoas ainda preferem encarar isso como algo que "eu não quero pegar", mas muitas das vezes esquecem que é algo que todos nós estamos sujeitos", conta.

Adson explica que se pudesse faria tudo diferente. Ele contraiu aids em um relacionamento de meses. Segundo ele, o seu parceiro naquela época não lhe contou sobre a doença que portava. Por confiança na outra pessoa, se submeteu a relações sem proteção.

Como todo mundo que está num relacionamento, eu confiei e acabei pegando a doença por que fui enganado. E se eu posso, hoje, dizer algo para as pessoas, é de que usem proteção. Não se trata de desconfiar da pessoa que você está. Mas nunca é demais ter a certeza absoluta de que tá tudo bem. Convidar para juntos fazerem um exame não é e nem deve ser nenhum problema para qualquer casal, seja ele gay ou heterossexual", argumenta.

Paraiba

Adson é um dos muitos paraibanos que descobriram, nos últimos anos, a doenca. No ano de 2020, até o mês de outubro, foram notificados 147 novos casos de aids. Quando comparado ao mesmo período de 2019 que teve 369 casos, nota-se uma queda de 60,2% dos casos de aids notificados.


Já a taxa de detecção de aids de no mesmo período avaliado em 2019 e 2020 apresenta uma diminuição significativa de 9,2 para 3,7 casos por 100 mil habitantes.

O dia 1º de dezembro marca o início da campanha Dezembro Vermelho, que alerta para a prevenção da Aids e das infecções sexualmente transmissíveis (IST). A data foi instituída em 27 de outubro de 1988 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e Organização Mundial de Saúde.

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