Patos

Com a proximidade do maior festejo junino do Nordeste, o São João, perder peso está na mira de muita gente para conquistar o corpo ideal a tempo. O problema está em um detalhe: a corrida para conseguir quilos a menos na balança, uma vez que o processo de emagrecimento saudável e seguro acontece de outra forma.

Dietas restritivas e tratamentos que apresentam essa proposta mágica escondem muitos riscos a curto e longo prazo. O alerta é da médica endocrinologista Felícia Crispim, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Câmara Técnica Endocrinologia CRM/PB.

Os riscos são inúmeros, porque o processo de emagrecimento tem que ser feito de forma contínua e persistente. Quando você perde peso de forma muito rápida, você não vai perder só gordura, você vai perder massa magra. Então, além de perder músculo, que é importante para manter o metabolismo funcionando, inclusive quando uma pessoa tem muito músculo isso dificulta o processo de ganhar peso, ou seja, que tem mais músculo tem menos tendência de ter obesidade, porque tem o metabolismo que trabalha melhor. Quando se faz uma dieta muito restritiva como por exemplo, uma pessoa consome 3 mil calorias por dia e passa a consumir 800 calorias/dia vai até perder peso, uma média de três a quatro quilos em 15 dias ou um mês, porém além de ter perdido massa muscular, desacelerou também o seu metabolismo. Então, o metabolismo vai lançar mecanismos para reganhar esse peso, porque ele (o metabolismo) interpreta que está faltando calorias e, assim, há a recuperação do peso perdido”, esclarece a  endocrinologista.

Felícia explica como acontece, na prática, a perda de peso.

A curva de perda de peso é em U. No início do processo de emagrecimento ela (a curva) começa a declinar. Com o tempo, a perda de peso dá uma estacionada e se não for dado um estímulo a pessoa volta a ganhar peso. Por isso, não é recomendado gastar todas as fichas de uma vez como acontece com quem busca emagrecer de forma rápida.

Os perigos para a saúde nem sempre são visíveis para quem escolhe os regimes radicais e rápidos.

Pode acontecer distúrbio de eletrolítico, o potássio pode aumentar riscos de arritmias cardíacas, além das fraturas, perda de massa óssea e osteoporose. O cérebro só usa glicose como fonte de energia e quando a pessoa perde peso muito rápido ela (glicose) acelera o metabolismo das proteínas e lipídios e, então, as proteínas e as gorduras não ultrapassam a barreira hemato encefálica e provoca a hipoglicemia, que pode causar esquecimento, confusão mental e dores de cabeça”, detalha Felícia.

A médica destaca que tudo depende dos hábitos alimentares e que o processo de mudança não acontece do dia para a noite. Frisa ainda que o acompanhamento e a orientação de um profissional são de suma importância.

O processo, independentemente se é São João, carnaval, verão ou o período que for, sempre é o mesmo. A modificação de hábitos não vem com pouco tempo. A pessoa precisa melhorar os hábitos alimentares, diminuir o consumo de frituras, gorduras, de massa, passar a consumir mais frutas, verduras e proteínas de forma adequada. Além disso, deve adaptar a quantidade de macro e micronutrientes na dieta e promover gasto calórico com a prática de atividade física. Tudo isso, claro, com a orientação de um profissional, seja um endocrinologista ou um (a) nutricionista, mas de forma segura e acompanhada”. 

Para compreender melhor, a endocrinologista pontua que é preciso ter em mente que mudança provisória, aquela que tem prazo determinado para começar e terminar, e a falta de persistência são fatores que contribuem para definitivamente não conseguir os resultados esperados.

Por exemplo, no processo da obesidade, que é uma doença crônica, a obesidade vai continuar existindo. Então se a pessoa fez uma mudança provisória, que na cabeça dela é um tratamento, ela não vai conseguir. Não é tratamento para emagrecer e sim um acompanhamento com mudança de hábitos, caso contrário não se consegue chegar lá”, orienta.

Felícia finaliza esclarecendo que perder peso é diferente de emagrecer.

A perda de peso é reduzir números na balança. A pessoa vai ver números na balança caindo. Emagrecer é perder gordura. Então o que vale não é perder peso na balança. As vezes o paciente modificou os hábitos, começa a fazer atividade física e, por exemplo, inicia o processo com 58 kg e 30 dias depois, ao se pesar, está com 60 kg e pensa que não serviu de nada o que fez, mas quando se analisa a composição corporal aquela pessoa perdeu cinco quilos de gordura e ganhou massa magra. Na balança aumentou, mas a pessoa emagreceu”, esclarece.

Por Portal TV Sol

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