Política

(Foto: reprodução/YouTube/Câmara de Patos)

A Constituição Federal diz que os poderes são harmônicos entre si, mas essa afirmação contempla apenas o Legislativo, Executivo e Judiciário. Até aqui nenhuma novidade, né mesmo? Não é o que parece ser para alguns! A Câmara Municipal de Patos fez a “façanha” de aprovar um requerimento que solicita a Igreja Católica que um padre celebre missa na cidade. 

A solicitação formal é de autoria da vereadora Nega Fofa (Solidariedade) e foi direcionada ao bispo diocesano Dom Eraldo Bispo (chamado por Fofa de dom “Geraldo” - em vídeo divulgado) durante a sessão ordinária da última terça-feira (20). A parlamentar patoense quer que o padre Fabrício Timóteo, atualmente pároco na cidade de Taperoá-PB, ministre “ao menos uma missa por mês” na capital do Sertão. 

Para piorar, até a casa legislativa propagou a indicação parlamentar nas mídias sociais em “tom de celebração”, como se isso fosse uma proeza. E isso deixa uma pergunta no ar: será que, nas entrelinhas, a intenção seria se aproveitar da boa imagem e popularidade do padre Fabrício na cidade para fins de autopromoção da autora ou até mesmo da própria instituição? É a dúvida que fica.   

Mas o que se sabe é que toda denominação religiosa no país goza de autonomia, tem suas próprias leis internas e os direcionamentos de sacerdotes são feitos de acordo com as necessidades observadas, neste caso específico, pela Diocese de Patos e, claro, buscando a orientação divino.  

O poder político não pode (e nem deve mesmo) interferir nas decisões administrativas de qualquer religião. Caso a vereadora em questão seja católica ou a intenção fosse apenas levar uma mensagem dos seus eleitores nesse sentido, deveria ter conversando pessoalmente com o bispo e ter dado a sugestão, mas apenas como seguidora do catolicismo e não como autoridade política.

Convenhamos, a Casa Juvenal Lúcio já tem demandas suficientes para buscar soluções, não precisa chamar mais uma responsabilidade para si e tentar, agora, até legislar em um assunto que cabe, exclusivamente, a Igreja Católica - a qual tem pessoas preparadas satisfatoriamente para decidir onde um sacerdote deve estar.

 

Por Portal TV Sol


 

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