
Em meio às discussões do mês dedicado às mulheres, a vereadora Nadir Rodrigues fez um discurso contundente dentro do plenário da Câmara Municipal de Patos, nessa terça-feira (24), ao criticar o que classificou como “maquiagem” nas políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

A parlamentar falou da própria bancada e chamou atenção para o que considera uma distância entre o discurso institucional e a realidade enfrentada pelas mulheres.
É impressionante como, às vezes, tem coisas que são colocadas só pelo fato de colocar. Parece que é só como se fosse uma prestação de contas. ‘Eu falei sobre o mês de março, eu falei sobre a violência’. Quando a gente sabe que o problema é muito maior”, afirmou.
A vereadora foi direta ao avaliar a atuação do poder público.
Quando eu digo que a política pública de combate à violência contra a mulher ela é maquiada, tem pessoas que acham ruim”, disse.
Durante a fala, Nadir destacou o trabalho de mulheres que atuam na linha de frente da causa, como Samara Oliveira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Patos, e a pastora Joana Dark, reconhecida pela atuação junto a mulheres em situação de vulnerabilidade.
Eu não posso me calar e aplaudir situações que eu não concordo. A política pública em defesa da mulher tem que ser muito maior, muito mais comprometida”, reforçou.
A parlamentar também relembrou cobranças antigas e apontou a falta de respostas por parte dos governos ao longo dos anos.
Eu tenho um requerimento de 2013 pedindo, nunca fomos atendidos, nunca fomos atendidos independente de governo, e aqui eu falo de todos. Porque a minha questão não é o partido A ou B, não, é a mulher”, declarou.
Um dos pontos mais críticos do discurso foi a situação da Delegacia da Mulher em Patos. Segundo ela, o funcionamento em regime de plantão ocorreu apenas após solicitação formal e não foi mantido.
A delegacia da mulher só funcionou em 2013, em sistema de plantão, com requerimento nosso. Funcionou até a pandemia. Depois disso, voltou a não funcionar mais em sistema de plantão, porque não tem pessoal suficiente. Mas os atos estão acontecendo”, disse.
Nadir também questionou a eficácia das medidas de proteção oferecidas às vítimas.
A mulher sai da delegacia com um papel na mão para proteger ela. Me desculpe, não estou faltando com o respeito da medida protetiva, não. Ela é extremamente importante. Agora, a gente tem que saber que sozinha ela não protege a mulher, não. O agressor volta lá e mata a mulher”, afirmou.
A ausência de acompanhamento psicológico foi outro ponto levantado.
Essas mulheres não têm um psicólogo. É comprovado que, quando a mulher passa pelo atendimento psicológico, ela se sente mais encorajada para denunciar. Ela não tem”, criticou.

Ao ampliar o debate, a vereadora lembrou que o Brasil já possui legislação específica há quase duas décadas, mas que, na prática, os resultados ainda são insuficientes.
Nós somos o país que, desde 2006, temos uma lei federal voltada para combater a violência doméstica. Mas, infelizmente, a resposta não chegou ainda como deveria”, disse.
Para a parlamentar, o problema também passa pela forma como o mês de março é tratado.

As pessoas pensam que o mês de março é para vestir rosa. O símbolo é importante, mas as atitudes são bem mais importantes”, pontuou.
Em um dos trechos mais fortes do discurso, Nadir condenou a culpabilização das vítimas e classificou os agressores de forma direta.
Você fez o quê? Por que ele bateu em você? Ele bateu porque ele é covarde. Homem que bate em mulher é covarde, é vagabundo. A mulher não fez nada para apanhar”, declarou.
A vereadora ainda denunciou a precariedade estrutural no atendimento às vítimas.

A gente não aceita essa política pública de faz de conta. Não tem uma cadeira digna para as mulheres sentarem. Não tem uma cadeira para os profissionais que trabalham lá na segurança pública”, afirmou.
Ao encerrar, ela voltou a criticar o que considera falta de compromisso efetivo com a causa.
A cidade não vai ganhar, a mulher não vai ganhar, enquanto a política pública for maquiada. Só se mostra o que se quer mostrar. Independente de governo, não existe o compromisso que a mulher merece”, concluiu.
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