
A política costuma ser cruel com quem olha apenas para a fotografia. Na fotografia da eleição para o Senado na Paraíba, Nabor Wanderley (Republicanos) aparece em terceiro lugar. João Azevêdo (PSB), ex-governador da Paraíba, foi o primeiro, com 1.391.994 votos, e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) ficou com a segunda vaga, com 974.550. Nabor terminou logo atrás, com 895.398 votos, 20,91% dos votos, contra 22,76% de Veneziano.
É uma diferença objetiva. Veneziano foi eleito. Nabor, não. Mas há uma segunda maneira de olhar para esse mesmo resultado.
Entre o senador que já ocupava uma cadeira em Brasília e buscava a reeleição e o ex-prefeito sertanejo que deixou uma prefeitura no meio do quarto mandato para disputar pela primeira vez o Senado, a distância foi de 79.152 votos, menos de 2 pontos em percentual.
É nesse intervalo pequeno que começa outra história. A história de uma candidatura que chegou ao fim da eleição com uma votação para um político que construiu sua trajetória essencialmente a partir do interior da Paraíba.
Nabor Wanderley não chegou à eleição de 2026 como um desconhecido. Ele construiu sua carreira política no Sertão. Foi prefeito de Patos por quatro mandatos e deputado estadual por duas vezes.
Em 2024, voltou a vencer a eleição para prefeito de Patos com 37.613 votos, 73,76% dos votos válidos, chegando ao quarto mandato à frente do município. Foi justamente dessa posição confortável que ele tomou a decisão mais arriscada de sua trajetória recente.
Em abril de 2026, renunciou ao cargo para disputar uma das duas vagas da Paraíba no Senado. Deixou uma eleição municipal para entrar numa disputa estadual na qual não havia garantia de que o eleitorado repetiria a lógica das eleições de Patos.
Um dos elementos mais importantes dessa eleição foi a expansão da rede política de Nabor. Levantamentos publicados ao longo da campanha apontaram crescimento expressivo no número de prefeitos que declararam apoio à sua candidatura. Em outubro de 2025 ele tinha 84 apoios e 174 em setembro de 2026.
Não se trata de dizer que apoio de prefeito se transforma automaticamente em voto, pois a própria eleição mostrou que não. Mas o dado revela que a candidatura de Nabor conseguiu construir uma capilaridade política muito maior do que aquela que sua origem municipal poderia sugerir. E isso é relevante numa eleição para o Senado.
A Paraíba tem 223 municípios. Para quem sai de Patos e precisa falar com o eleitor de João Pessoa, Campina Grande, Sousa, Cajazeiras, Guarabira, Mamanguape, Cariri, Brejo, Curimataú e de tantas outras regiões, não basta ter um sobrenome conhecido. É preciso presença. Nabor conseguiu marcar essa presença.
Terceiro colocado significa, simplesmente, que dois candidatos receberam mais votos. Não significa que o terceiro tenha tido uma votação pequena.
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Nabor terminou apenas 79.152 votos atrás de Veneziano, que buscava a renovação de seu mandato no Senado por mais oito anos.
Outro aspecto que não pode ser ignorado é que Nabor não concorreu isoladamente. Ele integrou a chapa majoritária governista ao lado de João Azevêdo (PSB) e Lucas Ribeiro (PP), que saíram vitoriosos. João disputou uma das vagas do Senado e terminou em primeiro. Lucas Ribeiro foi reeleito governador da Paraíba ainda no primeiro turno. A composição tinha uma lógica política clara de Governo e Senado caminhando juntos.
João e Nabor, entretanto, tinham trajetórias muito diferentes. João chegava à disputa depois de dois mandatos à frente do Governo da Paraíba e de uma carreira consolidada na administração pública estadual. Nabor vinha da política municipal. E os dois foram submetidos à mesma urna. João terminou com 32,50% e Nabor, com 20,91%. A diferença entre eles é grande, porém o dado mais interessante, olhando especificamente para a segunda vaga, é a proximidade entre Nabor e Veneziano.
Foi uma eleição em que o primeiro colocado abriu vantagem significativa, enquanto a segunda vaga foi definida por uma margem relativamente estreita.
Há ainda uma dimensão que não pode ser dissociada da candidatura de Nabor, que é a do desempenho do grupo político do qual ele faz parte.
Hugo Motta (Republicanos) foi reeleito deputado federal pela Paraíba com 124.339 votos e seguirá para o 5º mandato consecutivo na Câmara, já Olívia Motta (Republicanos), estreante em eleições, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa com 67.991 votos tornando-se a mulher mais votada da AL da Paraíba. O grupo saiu das urnas ainda com a continuidade de Lucas Ribeiro (PP) no Governo do Estado e a vitória de João Azevêdo ao Senado, enquanto Nabor, individualmente, obteve quase 900 mil votos nessa disputa.
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A palavra final da urna foi terceiro. A política, como quase sempre, não termina na ordem de chegada. Termina começando uma nova conta e a conta de Nabor agora parte de 895.398 votos.
Portal TV Sol